Por que o Sintep-PB participa de atos em defesa da democracia?
Nos últimos dias, o Sintep-PB tem sido alvo de críticas por participar de atos em defesa da democracia, especialmente aqueles contrários à anistia de golpistas e a qualquer tentativa de relativizar ataques ao Estado Democrático de Direito. As críticas, em geral, partem da ideia de que um sindicato da educação deveria se restringir exclusivamente às pautas corporativas: carreira, salário e condições de trabalho. Essa visão, no entanto, ignora o papel histórico, social e político do sindicalismo — e, em especial, a trajetória do Sintep-PB ao longo de seus 51 anos de existência.
O Sintep-PB existe, sim, para lutar pela valorização profissional das trabalhadoras e dos trabalhadores em educação: pela carreira, pelo piso salarial, por condições dignas de trabalho e por uma educação pública, gratuita, laica, democrática e de qualidade social. Mas essa missão nunca esteve — e jamais poderia estar — dissociada da luta por uma sociedade justa, igualitária, sem discriminação de qualquer natureza e livre das profundas desigualdades sociais que marcam o Brasil.
Educação não é neutra. A escola não é uma ilha isolada da realidade. O trabalho docente se realiza dentro de um contexto político, econômico e social concreto. Quando direitos são atacados, quando a democracia é ameaçada, quando se tenta naturalizar a violência política ou anistiar quem atentou contra o voto popular e as instituições democráticas, toda a sociedade é impactada — e a educação pública está entre as primeiras a sofrer as consequências.
Ao longo de seus 51 anos, o Sintep-PB esteve presente nas grandes lutas do povo brasileiro. Atuou na resistência à ditadura civil-militar, período em que professoras e professores foram perseguidos, censurados e silenciados. Enfrentou governos que massacraram a classe trabalhadora, retiraram direitos, precarizaram o serviço público e tentaram transformar a educação em mercadoria. Resistiu às reformas que atacaram a previdência, os direitos trabalhistas e o próprio papel do Estado como garantidor de políticas públicas.
Participar de atos em defesa da democracia, portanto, não é desvio de função. É cumprir, de forma coerente, o papel histórico de um sindicato comprometido com a democracia, os direitos humanos e a justiça social. Defender a educação pública exige defender a democracia. Defender a valorização profissional exige enfrentar projetos autoritários que atacam o serviço público e criminalizam a organização coletiva. Defender trabalhadores e trabalhadoras da educação exige dizer não à anistia de golpistas e a qualquer tentativa de reescrever a história para absolver quem atentou contra a soberania popular.
O Sintep-PB também reafirma seu compromisso com a soberania e a autodeterminação dos povos, defendendo o internacionalismo solidário como princípio histórico do movimento sindical. Somos solidários às lutas dos povos do mundo contra o imperialismo, o colonialismo e toda forma de dominação externa. Cada povo tem o direito inalienável de decidir seu próprio destino, sem ingerências estrangeiras, sanções políticas ou tutelas autoritárias. Internacionalismo é solidariedade, não intervenção.
O Sintep-PB não se cala diante das injustiças. Não se omite quando direitos são ameaçados. Não se esconde atrás de uma falsa neutralidade que, na prática, apenas favorece os que sempre lucraram com a desigualdade, a exclusão e o autoritarismo.
Nossa luta é por educação, sim. Mas é também por democracia, por direitos, por dignidade e por um futuro em que ensinar e aprender sejam atos de liberdade — e não de medo. É essa coerência histórica que explica por que o Sintep-PB segue nas ruas, ao lado da classe trabalhadora e do povo brasileiro, em defesa da democracia e da justiça social.