Mobilização docente garante recomposição da carga horária no Ensino Médio da Paraíba para 2026
A reorganização das matrizes curriculares do Ensino Médio em tempo integral na Paraíba, prevista para 2026, consolida-se como uma vitória estratégica da mobilização docente frente aos impactos da Reforma do Ensino Médio. A avaliação é de Thiago Calabria, diretor de Assuntos Educacionais do SINTEP-PB, que destaca a mudança como resultado direto da pressão exercida pela categoria e por movimentos educacionais organizados.
Segundo o professor Calabria, a alteração ocorre em um cenário complexo, marcado pela militarização da educação pública no estado e pela influência de entidades privadas na gestão das políticas educacionais. Para o diretor, o novo desenho curricular demonstra que a mobilização coletiva é capaz de produzir mudanças concretas, mesmo em contextos de forte controle e padronização do ensino.
Nos últimos anos, o modelo de ensino integral adotado na Paraíba promoveu uma redução significativa da Formação Geral Básica (FGB), diminuindo o tempo destinado a disciplinas científicas, humanísticas e culturais. Parte expressiva da carga horária havia sido direcionada a componentes como “Projeto de Vida” e “Empresa Pedagógica”, voltados à formação comportamental e à adaptação precoce ao mercado de trabalho.
De acordo com o dirigente, essa estrutura enfraqueceu a função social da escola pública e precarizou o trabalho docente, especialmente nas Escolas Cidadãs Integrais Técnicas (ECIT). Com a nova mudança, o “Projeto de Vida” deixa de existir, sendo substituído por componentes de aprofundamento organizados por áreas do conhecimento, o que deve proporcionar uma base intelectual mais consistente aos estudantes.
As diretrizes para 2026 apontam para uma inflexão nessa política: tanto nas ECITs quanto nas Escolas Cidadãs Integrais (ECIs) de 35 horas, a Formação Geral Básica foi recomposta e passará a ultrapassar 2.500 horas ao longo do curso. O sindicato enfatiza o fortalecimento de disciplinas tradicionais e de áreas com amplo acúmulo de pesquisa acadêmica.
Apesar dos avanços, Calabria ressalta que ajustes ainda são necessários. Disciplinas como Arte e Língua Espanhola permanecem com carga horária considerada insuficiente para uma formação integral de qualidade — situação que o sindicato classifica como resultado de escolhas políticas que ainda podem ser revistas.
O Sintep credita essa revisão à ação coletiva da categoria em parceria com os movimentos “Mais Artes” e “Filosofia e Sociologia nas Escolas Públicas Paraibanas”. Segundo a entidade, a pressão direta sobre a Secretaria de Educação foi determinante para este avanço parcial, mas de efeitos positivos imediatos. O sindicato reforça que permanecerá vigilante em defesa de um currículo equilibrado que assegure formação científica, cultural e crítica em todas as áreas do conhecimento.