CUT convoca mulheres às ruas pelo fim da violência e divulga manifesto
O Sintep-PB chama atenção para o manifesto divulgado pelo Coletivo da Mulher Trabalhadora da CUT, que reafirma o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, como um momento de memória, resistência e mobilização em defesa da vida das mulheres.
Em um país onde, em média, quatro mulheres são vítimas de feminicídio a cada 24 horas, o documento destaca a urgência de fortalecer a luta contra a violência de gênero. O manifesto também reforça a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à igualdade de direitos, à valorização do trabalho das mulheres e à garantia de maior participação feminina nos espaços de poder e decisão.
Os atos deste ano serão realizados com o mote “Pelo direito à vida, por maior representação política, em defesa da soberania dos povos e pelo fim da escala 6×1”. A mobilização também destacará a necessidade de enfrentar as desigualdades que atingem especialmente as mulheres trabalhadoras, em particular negras, periféricas, indígenas e do campo.
Neste Dia Internacional da Mulher, a convocação é direta: ocupar as ruas, fortalecer a organização social e ampliar a presença feminina nos espaços de decisão, em defesa da vida das mulheres, da democracia, da soberania dos povos e de condições dignas de trabalho.
Em todo o país há atividades programadas neste ano. As mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT), organizadas pelo Coletivo da Mulher Trabalhadora da CUT, reunirão sindicalistas das CUTs estaduais e de entidades filiadas, além de movimentos feministas, para ir às ruas neste 8 de março e reafirmar a luta por direitos, igualdade e pelo fim da violência de gênero. Em João Pessoa, o ato acontece na Praça da Paz, às 15h, no bairro dos Bancários.
Leia abaixo o manifesto completo:
MANIFESTO – 8 DE MARÇO DE 2026
Coletivo da Mulher Trabalhadora da CUT
O 8 de março é um dia de memória, luta e reafirmação de compromissos com a vida das mulheres. É uma data que nasce da resistência das trabalhadoras, da coragem de quem enfrentou jornadas exaustivas, salários injustos e a violência cotidiana para conquistar direitos e dignidade.
No Brasil, seguimos vivendo uma realidade alarmante: a cada 24 horas, quatro mulheres são vítimas de feminicídio. Esse dado escancara o quanto a violência de gênero continua sendo uma chaga aberta em nossa sociedade, atingindo especialmente as mulheres trabalhadoras, negras, periféricas, indígenas e do campo.
Também denunciamos o avanço do imperialismo e das políticas que aprofundam a exploração, a desigualdade e a retirada de direitos em todo o mundo. As mulheres trabalhadoras são as primeiras a sentir os impactos das guerras, das sanções econômicas e das medidas de austeridade. Defender a vida das mulheres também é lutar pela soberania dos povos, pelo direito à autodeterminação, por desenvolvimento com justiça social e pela construção de um projeto de país que coloque a vida acima do lucro.
Diante desse cenário, a Central Única dos Trabalhadores reafirma a importância do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa conjunta do Legislativo, Executivo e Judiciário que busca enfrentar, de forma integrada, a escalada da violência contra as mulheres. O pacto representa um passo fundamental para fortalecer políticas públicas, garantir proteção, responsabilizar agressores e afirmar o direito das mulheres à vida.
Mas sabemos: não há enfrentamento à violência sem justiça social. A precarização do trabalho, a sobrecarga gerada pelos cuidados domésticos — atribuídos geralmente às mulheres —, a desigualdade salarial e a falta de representação política aprofundam as condições de vulnerabilidade das mulheres. Por isso, nossa luta é ampla e coletiva.
Neste 8 de março, a CUT convoca as trabalhadoras e trabalhadores a ocuparem as ruas e os espaços de decisão com o mote: “Pelo direito à vida, por maior representação política, em defesa da soberania dos povos e pelo fim da escala 6×1.”
Defendemos políticas públicas que garantam autonomia econômica, combate ao assédio e à discriminação, creches, saúde integral, educação de qualidade e um mundo do trabalho que respeite a vida das mulheres.
Seguiremos organizadas, mobilizadas e solidárias, porque quando uma mulher avança, nenhuma deve ficar para trás. A luta feminista é uma luta por democracia, justiça social e dignidade para toda a classe trabalhadora.
Central Única dos Trabalhadores (CUT)