Sintep-PB defende o fim da escala 6×1 e reforça luta pela redução da jornada para 36 horas semanais
O Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação da Paraíba (Sintep-PB) reafirma seu apoio ao fim da escala 6×1 e à redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, sem redução salarial. A pauta, histórica da Central Única dos Trabalhadores (CUT), poderá ser votada no Congresso Nacional nos próximos meses e vem ganhando cada vez mais força na sociedade brasileira.
Para o Sintep-PB, o atual modelo de trabalho, ainda imposto a milhões de trabalhadores e trabalhadoras no país, sacrifica a qualidade de vida e precisa ser urgentemente superado. Mais do que uma discussão sobre organização da jornada, trata-se de uma pauta que envolve dignidade, saúde, justiça social e valorização humana.
A escala 6×1 — que estabelece seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso — é amplamente apontada como prejudicial à saúde física e mental da classe trabalhadora. O modelo impõe desgaste intenso, sem tempo adequado para recuperação, contribuindo para o aumento do estresse, da fadiga crônica, do adoecimento e dos afastamentos nos ambientes de trabalho. Além disso, um único dia de folga é insuficiente para atender às demandas pessoais, familiares e sociais, provocando desequilíbrio entre vida profissional e vida pessoal, com impactos nas relações, nos estudos, no direito ao lazer e até mesmo na motivação e no desempenho laboral.
A defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sem redução de salários é uma bandeira histórica da CUT e tem forte respaldo popular. Segundo pesquisa Datafolha divulgada no último domingo (15), 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 e a diminuição do número máximo de dias trabalhados por semana no país. Apenas 27% se posicionam contra, enquanto 3% não souberam ou preferiram não responder. O levantamento foi realizado entre os dias 3 e 5 de março e demonstra que a maioria da população está ao lado de uma reorganização mais justa e humana da jornada de trabalho.
Entre os brasileiros economicamente ativos, a pesquisa mostra que 53% afirmam trabalhar até cinco dias por semana, enquanto 47% dizem ter jornadas de seis ou sete dias. Mesmo entre aqueles que trabalham seis dias ou mais por semana — e que estão entre os principais beneficiários da mudança — o apoio à proposta é expressivo: 68% são favoráveis ao fim da escala 6×1. Já entre os que trabalham até cinco dias por semana, o índice de apoio chega a 76%.
Diante desse cenário, o Sintep-PB defende a adoção da escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, como medida concreta para construir relações de trabalho mais justas, humanas e sustentáveis. A mudança, além de garantir maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, tende a contribuir para ambientes de trabalho mais saudáveis, com redução de erros, diminuição dos afastamentos e melhora da produtividade.
Ao contrário do discurso do setor empresarial, que tenta espalhar medo e afirma que o fim da escala 6×1 pode gerar desemprego e prejudicar a economia, estudos apontam justamente o oposto. De acordo com a economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia da Unicamp, e autora do Dossiê 6×1, a redução da jornada de 44 para 36 horas poderá criar até 4,5 milhões de empregos no Brasil e aumentar a produtividade em cerca de 4%.
Para o Sintep-PB, o fim da escala 6×1 é urgente e necessário. Trata-se de uma medida civilizatória, capaz de enfrentar a precarização do trabalho, valorizar a vida da classe trabalhadora e fortalecer um projeto de país baseado em direitos, bem-estar social e justiça para quem move o Brasil todos os dias com seu trabalho.