Seminário destaca importância da representação feminina e enfrentamento à violência
Foi realizado na tarde da última sexta-feira (27), na sede do Sintep-PB, o seminário “Pela Vida das Mulheres”. A atividade foi promovida pela Secretaria de Relações de Gênero, Etnia e Diversidade do sindicato, em conjunto com a Secretaria de Mulheres da CUT-PB, e parceria com o grupo de extensão Esperança Garcia, da UEPB. O evento reuniu trabalhadoras da educação e representantes de outros sindicatos.
A programação foi aberta com uma apresentação teatral sobre a temática, com a peça “Marias, Anas, Paulas e Flávias não são números”, da companhia Arretados Produções. Em seguida, ocorreu a palestra “Pela vida das mulheres e a importância da representação política das mulheres”, ministrada pela professora Nadine Agra, da UEPB. O encerramento contou com o espetáculo Sucesso de Alice , do grupo de alunos da Ecit Estadual Alice Carneiro, de João Pessoa.
O seminário marcou o encerramento da programação do mês da mulher e teve como objetivo promover o debate sobre a defesa dos direitos das mulheres, reunindo participantes em um espaço de reflexão, formação e fortalecimento das lutas por igualdade e justiça social.
De acordo com a coordenadora da Secretaria de Relações de Gênero do Sintep-PB, Fernanda França, a luta seguirá de forma permanente, com a construção de protocolos de enfrentamento à violência contra a mulher e de combate à misoginia. Segundo ela, o sindicato reafirma o compromisso com a defesa da vida das mulheres e com a ampliação de ações que promovam direitos, igualdade e justiça social.
Para Cícera Batista, diretora da secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-PB e também diretora da 4ª Regional (Cuité-PB), o seminário integrou a agenda de atividades do mês de março, que, na Paraíba, vem sendo consolidada como um período de mobilização e não apenas de celebração do 8 de março. “Mais do que uma data simbólica, buscamos promover uma jornada de debates para que as mulheres se sintam representadas e a sociedade compreenda a gravidade da pauta da violência. No movimento sindical, esse tema tem ganhado a mesma importância das pautas salariais”, destacou. Ela acrescentou que momentos como esse reforçam o compromisso de seguir na luta até que todas as mulheres estejam livres de qualquer tipo de violência e opressão.
Durante a palestra, a professora Nadine Agra abordou os diferentes tipos de violência doméstica previstos na Lei Maria da Penha, dialogando com as participantes sobre reconhecimento, prevenção e formas de enfrentamento. A docente também destacou a importância de ampliar o debate no contexto atual. Segundo ela, diante do aumento dos casos de feminicídio e das recentes denúncias de estupro de vulnerável, as mobilizações do 8 de março de 2026 têm enfatizado a defesa da vida das mulheres.

Para Nadine, “diante das estatísticas atuais, o 8 de Março de 2026 está voltado para a defesa da vida, partindo do princípio de que precisamos defender nossas vidas para reivindicar outros direitos. Após anos de luta e avanços do feminismo, vemos esses números como um retrocesso, mas também como um alerta para a necessidade de ampliar políticas públicas de combate à violência”, afirmou. A professora também ressaltou a importância da denúncia. “É fundamental que as mulheres compreendam a importância de denunciar, que não sintam vergonha e que não sejam revitimizadas. O combate à violência exige ações articuladas entre o Estado e a sociedade civil”, concluiu.
Também participaram do evento estudantes extensionistas do Projeto Esperança Garcia, que atuam na divulgação dos direitos das mulheres junto à sociedade civil, por meio de atividades presenciais e da produção de conteúdos informativos nas redes sociais. Atualmente, o projeto conta com a participação de 30 discentes e desenvolve ações de divulgação científica e educação jurídica. No Instagram, por meio do perfil @proexesperancagarcia, são publicados materiais educativos produzidos sob a supervisão da professora Nadine Agra, além da divulgação da agenda mensal de atividades.