Pesquisa destaca efeitos das Escolas Cidadãs Integrais Técnicas sobre jovens da Paraíba
O artigo “Quem somos?: as juventudes e a Escola Cidadã Integral Técnica na Paraíba”, publicado na revista Cadernos de Educação (2026) e produzido pelos professores doutores Liliane Alves Chagas, Ana Claudia da Silva Rodrigues e Thiago Luis C. Calabria, analisa os impactos da política de Educação em Tempo Integral sobre estudantes da rede estadual, com foco em jovens das periferias, pobres e negros.
O SINTEP-PB está divulgando este importante estudo sobre os efeitos do Programa de Educação em Tempo Integral da Paraíba, implantado em 2016, a partir da realidade de uma escola da rede estadual. Os resultados indicam que, embora a política tenha sido concebida para atender comunidades em situação de vulnerabilidade social, foram identificados processos de exclusão que afetam especialmente jovens negros e periféricos.
A pesquisa também examina as mudanças no ensino médio brasileiro, sobretudo após a implementação do Novo Ensino Médio, destacando a necessidade de compreender o perfil dos estudantes das escolas públicas diante das transformações dessa etapa da educação básica.
No caso analisado, a maioria dos estudantes é composta por jovens negros, do sexo masculino, com renda familiar de até um salário mínimo e moradores do bairro dos Bancários, em João Pessoa. Os pesquisadores observaram mudanças nesse perfil, especialmente relacionadas à cor da pele e ao local de residência.
Para tanto, o estudo aponta a necessidade de investigações mais aprofundadas sobre os fatores que explicam esses processos de exclusão e sobre os impactos da política de educação integral, especialmente no recorte étnico-racial.
Os pesquisadores relatam, no artigo, que dados do Censo Escolar de 2022 mostram que a Paraíba possui 256.943 matrículas em tempo integral, distribuídas em 302 Escolas Cidadãs, sendo 152 de ensino médio técnico. O número representa 57,8% das matrículas da rede estadual, colocando o estado na segunda posição nacional nessa modalidade, segundo o Inep.
O modelo de Educação Integral foi instituído em 2015 e implementado a partir de 2016, sendo posteriormente consolidado pela Lei nº 11.100/2018. A política abrange as Escolas Cidadãs Integrais (ECI), as Escolas Cidadãs Integrais Técnicas (ECIT) e as Escolas Cidadãs Integrais Socioeducativas (ECIS), voltadas a adolescentes em privação de liberdade.
Entre os objetivos do programa estão a melhoria dos indicadores educacionais, como o Ideb, e o incentivo à construção dos projetos de vida dos estudantes.
O SINTEP-PB convida professoras e professores da rede pública estadual a acessarem o artigo, que analisa os efeitos do Programa de Educação em Tempo Integral da Paraíba sobre os estudantes atendidos por essa política pública desde sua implantação, em 2016. O sindicato reafirma a importância do debate sobre os rumos da educação pública no estado e destaca que os resultados da pesquisa contribuem para refletir sobre a necessidade de fortalecer uma escola cada vez mais inclusiva, democrática e comprometida com a justiça social.
Leia o artigo completo no link abaixo :
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/caduc/article/view/26026/20371